As cidades se fecham em si mesmas
O argumento da degradação das relações humanas
Cria o elogio à violência
Que além de espiada e pensada
Coloca-se cada vez mais presente
No grande mundo através de guerras
No mundo interior na forma de discriminação
Uma série de pequenas maldades
Se destilam em nossas almas e mentes
Desejos íntimos de execuções sumárias
Admiração a justiceiros genocidas
Vem a nos preencher o interior vazio da consciência
Como um elixir entorpecente
Transborda nossas grutas interiores
Com desejo de morte e odor pútrido
Pra tudo aquilo que não entendemos
Que não conhecemos
Sem que isso crie em mim ou em você
Necessidade alguma de maior compreensão
Nem mesmo capacidade de sentir ou colocar-se no lugar do outro
E novamente tomados de desejos egoístas e assassinos
Clamamos: penas de morte e chacinas em nome de segurança
Cidades cada vez mais fechadas, condomínios, ruas particulares
Milícias, shoppings e torres de vidro blindado
Que nos assegurem de nossa própria vontade demente
De punir infratores
As infrações são sempre alheias
Estamos quase sempre ungidos de inocência e boa vontade
Não há nada de errado em se dar bem
Não hei de me tornar alvo por ser bem sucedido
E assim fecho-me em muralhas
O imperativo é nos isolarmos cada vez mais com nossas migalhas
Que se limpe a cidade: de ruídos noturnos, esmolantes, dos sujos,
Dos caídos, da alegria subversiva das meninas e meninos de rua,
Do vigor da prostituição, do apagado colorido dos bares populares
Dos cães de rua e seus respectivos donos, dos catadores de reciclável, da permissividade boemia,
da essência humana que coabita na coexistência dos diferentes.
Vamos limpar das cidades o desejo humano do prazerdo sexo
Permeados em olhos famintos que desejam e comem
O Brasil que tem fome
Nos isolando na reclusa solidão de nossas casas e apartamentos
Gozando a mais profunda perversão de nossos sentidos solos
Engaiolando nossas súplicas e desejos numa oração profana
Cada vez mais egoístas, solitários nefandos
A ordem se constrói de entradas e saídas
Ausgang-Eingang
Nossas cidades estão se tornando sítios dentro de gaiolas
Será que o Ibama conseguirá libertá-las?
Sendo assim, mestiços, negros e nordestinos devem saber
Colocar-se, e apreciar as entradas de serviço
Pois isso corrobora para a segurança das pessoas normais.
“Estado de Sítio”, faixa 5 do disco diáspora afronética.
o disco completa a trilogia Zumbi Somos Nós, da Frente 3 de Fevereiro. são de 2006 o filme e o livro “Cartografia do racismo para o jovem urbano”.
a Frente 3 de Fevereiro é um grupo transdisciplinar de pesquisa e ação direta sobre o racismo na sociedade brasileira.
livro e disco podem ser baixados gratuitamente pelo sítio da Frente 3 de Fevereiro, no link downloads.
faixas do disco diáspora afronética:
1. Quem policia a polícia?
2. Batuque Nagô
3. Linha de frente
4. Pare e olhe para a base
5. Estado de sítio
6. Eu vou subir ao céu
7. Reza/Canto pra Xangô/Canto para Oxum
8. Periafricania/Brasileiroz
9. É hora de lutar
10. Groove Berlin
11. Por todas as partes
12. Eu vou pra Palmares
13. Zumbi/Requilombô
14. Diáspora
15. Groove Djs(bonus track)
mais fotos aqui.
Filed under: arte, ativismo, cidade, crítica | 8 Comments
Tags: ativismo, música, poesia, são paulo


























lindo Polly!
Gracias pela dica e pelo link! Já visitei e baixei tudo que dava pra baixar…
lindo lindo
)
polly presença colorida!
beijossss
Olá, adicionei um link no meu preimeiro e novissimo blog sobre bike, bicicletada e pedalanças, pois tenho seu blog como referencia e leitura obrigatória.
Abs.
Perfeito!!
Tanto o Livro como o disco!!
Ajuda a abrir a mente de muitos. Negros, brancos, mulatos, criolos, índios, mestiço . . brasileiros!
Como existir Racismo no Brasil se a maioria da poluação é negra?
E no mundo?
Que pena que isso ainda é uym fato!
Olá, gostaria de saber como faço pra adquirir o documentário zumbi somos nós. Preciso urgentemente dele pra usá-lo num projeto pedagógico.