zumbi somos nós: diáspora afronética

ZumbiSomosNós81

As cidades se fecham em si mesmas

O argumento da degradação das relações humanas

Cria o elogio à violência

Que além de espiada e pensada

Coloca-se cada vez mais presente

No grande mundo através de guerras

No mundo interior na forma de discriminação

ZumbiSomosNós03
ZumbiSomosNós05
ZumbiSomosNós08
ZumbiSomosNós13
ZumbiSomosNós18

Uma série de pequenas maldades

Se destilam em nossas almas e mentes

Desejos íntimos de execuções sumárias

Admiração a justiceiros genocidas

Vem a nos preencher o interior vazio da consciência

Como um elixir entorpecente

Transborda nossas grutas interiores

Com desejo de morte e odor pútrido

Pra tudo aquilo que não entendemos

Que não conhecemos

Sem que isso crie em mim ou em você

Necessidade alguma de maior compreensão

Nem mesmo capacidade de sentir ou colocar-se no lugar do outro

ZumbiSomosNós21
ZumbiSomosNós24
ZumbiSomosNós25
ZumbiSomosNós27

E novamente tomados de desejos egoístas e assassinos

Clamamos: penas de morte e chacinas em nome de segurança

Cidades cada vez mais fechadas, condomínios, ruas particulares

Milícias, shoppings e torres de vidro blindado

Que nos assegurem de nossa própria vontade demente

De punir infratores

As infrações são sempre alheias

Estamos quase sempre ungidos de inocência e boa vontade

Não há nada de errado em se dar bem

Não hei de me tornar alvo por ser bem sucedido

E assim fecho-me em muralhas

O imperativo é nos isolarmos cada vez mais com nossas migalhas

ZumbiSomosNós29
ZumbiSomosNós32
ZumbiSomosNós37
ZumbiSomosNós42
ZumbiSomosNós47
ZumbiSomosNós55
ZumbiSomosNós59

Que se limpe a cidade: de ruídos noturnos, esmolantes, dos sujos,

Dos caídos, da alegria subversiva das meninas e meninos de rua,

Do vigor da prostituição, do apagado colorido dos bares populares

Dos cães de rua e seus respectivos donos, dos catadores de reciclável, da permissividade boemia,

da essência humana que coabita na coexistência dos diferentes.

ZumbiSomosNós61
ZumbiSomosNós65
ZumbiSomosNós70
ZumbiSomosNós72
ZumbiSomosNós74
ZumbiSomosNós79

Vamos limpar das cidades o desejo humano do prazerdo sexo

Permeados em olhos famintos que desejam e comem

O Brasil que tem fome

Nos isolando na reclusa solidão de nossas casas e apartamentos

Gozando a mais profunda perversão de nossos sentidos solos

Engaiolando nossas súplicas e desejos numa oração profana

Cada vez mais egoístas, solitários nefandos

A ordem se constrói de entradas e saídas

Ausgang-Eingang

Nossas cidades estão se tornando sítios dentro de gaiolas

Será que o Ibama conseguirá libertá-las?

Sendo assim, mestiços, negros e nordestinos devem saber

Colocar-se, e apreciar as entradas de serviço

Pois isso corrobora para a segurança das pessoas normais.

“Estado de Sítio”, faixa 5 do disco diáspora afronética.

o disco completa a trilogia Zumbi Somos Nós, da Frente 3 de Fevereiro. são de 2006 o filme e o livro “Cartografia do racismo para o jovem urbano”.

a Frente 3 de Fevereiro é um grupo transdisciplinar de pesquisa e ação direta sobre o racismo na sociedade brasileira.

livro e disco podem ser baixados gratuitamente pelo sítio da Frente 3 de Fevereiro, no link downloads.

faixas do disco diáspora afronética:

1. Quem policia a polícia?

2. Batuque Nagô

3. Linha de frente

4. Pare e olhe para a base

5. Estado de sítio

6. Eu vou subir ao céu

7. Reza/Canto pra Xangô/Canto para Oxum

8. Periafricania/Brasileiroz

9. É hora de lutar

10. Groove Berlin

11. Por todas as partes

12. Eu vou pra Palmares

13. Zumbi/Requilombô

14. Diáspora

15. Groove Djs(bonus track)

mais fotos aqui.

Anúncios

luzes pulsam no coração da Luz

Caminhada coletiva “traga sua luz“, proposta do coletivo PI – Política do Impossível e do Fórum Centro Vivo para questionar a política higienista da prefeitura paulistana no bairro da Luz.


mais fotos e relatos da ação:

Apocalipse Motorizado

Gira-me

Isaumir Nascimento / CMI

Peetssa – Política do Impossível / CMI


intervenções cidade afora

(banksy)

# um

paulistanos ação 3:
espaços de contemplação

de Maíra Vaz Valente.

dia 19 de outubro/07, cruzamento da Av. Paulista com a Rua Augusta, das 18h
às 19h, São Paulo.

Os voluntários da ação se colocaram a contemplar a multidão, o fluxo e a paisagem da cidade.

espaços de contemplação

espaços de contemplação

espaços de contemplação

espaços de contemplação

espaços de contemplação

espaços de contemplação

espaços de contemplação

espaços de contemplação

álbum de fotos: espaços de contemplação

# zero

arraiá “formação de quadrilha?”

dia 19 de outubro/07, em frente ao Itaú Cultural, av. Paulista, São Paulo.

em solidariedade às/aos presas/os em Brasília sob acusação de formação de quadrilha por transformarem em centro cultural um prédio abandonado havia mais de 10 anos.

contra a repressão policial (e violenta, pra variar) e a criminalização dos movimentos sociais e autônomos.

 

do cmi:

“Durante o Grito dos Excluídos desse ano, 7 de setembro, o Koletivo de Resistência Anarcopunk (krap) junto a outros grupos/indivíduos da Convergência de Grupos Autônomos do Distrito Federal (CGA-DF) ocuparam um prédio no centro de Brasília, que estava abandonado há mais de 10 anos. O proprietário do prédio é o BANERJ (Banco do Estado do Rio de Janeiro), antigo banco brasileiro que foi comprado em 2004 pela iniciativa privada, o Banco Itaú. Dessa forma surgiu a ocupação “Casa das Pombas”, dando espaço para iniciativas sociais na cidade.

Porém, na noite dessa segunda-feira, dia 8 (outubro), após mais de um mês de ocupação, os ativistas foram surpreendidos por uma ação do Batalhão Tático da Polícia Militar do Distrito Federal. Armada com metralhadoras, revirando todos os móveis e apreendendo materiais impressos, os policiais chegaram a afirmar que encontraram drogas. Cinco ativistas latino-americanas foram detidos/as e levados/as para abrir inquérito na sede da PF. O único ativista brasileiro que estava na casa no momento foi encaminhado para uma delegacia da Polícia Civil e também interrogado. Durante a interrogatório, o delegado repetiu diversas vezes que o antigo proprietário, o banco BANERJ, estava entrando com pedido de reintegração de posse.
Na madrugada dessa terça-feira, às 2h da manhã, todos as/os ativistas já haviam sido liberadas/os e numa assembléia extraordinária resolveram resistir no local até que o pedido de reintegração chegasse oficialmente, com a disposição de levar a luta no campo jurídico. Alguns ativistas permaneceram no local para passar a noite. Porém, na manhã dessa terça-feira (9), às 10h, a PF e a Polícia Civil invadiram o local, ameaçaram com metralhadoras as/os ativistas que estavam do lado de fora e mantiveram por mais de uma hora as/os dez moradores lá dentro. Durante a tarde, o delegado da Polícia Civil afirmou que as pessoas responderão por crime de formação de quadrilha e esbulho possessório.

Esta ocupação nasceu de uma luta histórica do movimento autônomo do DF em transformar espaços vazios em lugares vivos e ativos. O local já abrigou reunião de diversos grupos, dentre várias outras atividades, e se tornou um legítimo Centro sócio-cultural. O Centro de Mídia Independente manifesta seu repúdio a truculência da ação policial e reforça o chamado de solidariedade aos ativistas detidos e pela reativação do Centro Cultural Casa das Pombas.”

saiba mais: Presas/os políticas/os recebem “liberdade provisória” – processo continua

“Formação de quadrilha?”: evento em solidariedade à Casa das Pombas – 15/11 no Rio de Janeiro