canções são encantamentos…

because the world is round
it turns me on

because the world is round…

because the wind is high
it blows my mind

because the wind is high…

love is old, love is new
love is all, love is you

because the sky is blue
it makes me cry

because the sky is blue…”

because, John Lennon.
em Abbey Road, 1969.

vim cantar sobre essa terra
antes de mais nada, aviso
trago facão, paixão crua
e bons rocks no arquivo
tem gente que pira e berra
eu já canto, pio e silvo
se fosse minha essa rua
o pé de ypê tava vivo

pro topo daquela serra
vamos nós dois, vídeo e livros
vou ficar na minha e sua
isso é mais que bom motivo
gorjearei pela terra
para dar e ter alívio
gorjeando eu fico nua
entre o choro e o riso

pintassilga, pomba, melroa
águia lá do paraíso
passarim, mundo da lua
quando não trino, não sirvo
caso a bela com a fera
canto porque é preciso
porque esta vida é árdua
pra não perder o juizo”

canto em qualquer canto, Ná Ozzetti e Itamar Assumpção.
em Estopim, Ná Ozzetti, 2005.

turn off your mind, relax and float down stream
it is not dying
it is not dying

lay down all thoughts, surrender to the void
it is shining
it is shining

that you may see the meaning of within
it is being
it is being

that love is all and love is everyone
it is knowing
it is knowing

and ignorance and hate may mourn the dead
it is believing
it is believing

but listen to the colour of your dreams
it is not living
it is not living

or play the game “existence” to the end
of the beginning
of the beginning
of the beginning
of the beginning
of the beginning
of the beginning”

tomorrow never knows, John Lennon.
em Revolver, 1966.

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zumbi somos nós: diáspora afronética

ZumbiSomosNós81

As cidades se fecham em si mesmas

O argumento da degradação das relações humanas

Cria o elogio à violência

Que além de espiada e pensada

Coloca-se cada vez mais presente

No grande mundo através de guerras

No mundo interior na forma de discriminação

ZumbiSomosNós03
ZumbiSomosNós05
ZumbiSomosNós08
ZumbiSomosNós13
ZumbiSomosNós18

Uma série de pequenas maldades

Se destilam em nossas almas e mentes

Desejos íntimos de execuções sumárias

Admiração a justiceiros genocidas

Vem a nos preencher o interior vazio da consciência

Como um elixir entorpecente

Transborda nossas grutas interiores

Com desejo de morte e odor pútrido

Pra tudo aquilo que não entendemos

Que não conhecemos

Sem que isso crie em mim ou em você

Necessidade alguma de maior compreensão

Nem mesmo capacidade de sentir ou colocar-se no lugar do outro

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E novamente tomados de desejos egoístas e assassinos

Clamamos: penas de morte e chacinas em nome de segurança

Cidades cada vez mais fechadas, condomínios, ruas particulares

Milícias, shoppings e torres de vidro blindado

Que nos assegurem de nossa própria vontade demente

De punir infratores

As infrações são sempre alheias

Estamos quase sempre ungidos de inocência e boa vontade

Não há nada de errado em se dar bem

Não hei de me tornar alvo por ser bem sucedido

E assim fecho-me em muralhas

O imperativo é nos isolarmos cada vez mais com nossas migalhas

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Que se limpe a cidade: de ruídos noturnos, esmolantes, dos sujos,

Dos caídos, da alegria subversiva das meninas e meninos de rua,

Do vigor da prostituição, do apagado colorido dos bares populares

Dos cães de rua e seus respectivos donos, dos catadores de reciclável, da permissividade boemia,

da essência humana que coabita na coexistência dos diferentes.

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Vamos limpar das cidades o desejo humano do prazerdo sexo

Permeados em olhos famintos que desejam e comem

O Brasil que tem fome

Nos isolando na reclusa solidão de nossas casas e apartamentos

Gozando a mais profunda perversão de nossos sentidos solos

Engaiolando nossas súplicas e desejos numa oração profana

Cada vez mais egoístas, solitários nefandos

A ordem se constrói de entradas e saídas

Ausgang-Eingang

Nossas cidades estão se tornando sítios dentro de gaiolas

Será que o Ibama conseguirá libertá-las?

Sendo assim, mestiços, negros e nordestinos devem saber

Colocar-se, e apreciar as entradas de serviço

Pois isso corrobora para a segurança das pessoas normais.

“Estado de Sítio”, faixa 5 do disco diáspora afronética.

o disco completa a trilogia Zumbi Somos Nós, da Frente 3 de Fevereiro. são de 2006 o filme e o livro “Cartografia do racismo para o jovem urbano”.

a Frente 3 de Fevereiro é um grupo transdisciplinar de pesquisa e ação direta sobre o racismo na sociedade brasileira.

livro e disco podem ser baixados gratuitamente pelo sítio da Frente 3 de Fevereiro, no link downloads.

faixas do disco diáspora afronética:

1. Quem policia a polícia?

2. Batuque Nagô

3. Linha de frente

4. Pare e olhe para a base

5. Estado de sítio

6. Eu vou subir ao céu

7. Reza/Canto pra Xangô/Canto para Oxum

8. Periafricania/Brasileiroz

9. É hora de lutar

10. Groove Berlin

11. Por todas as partes

12. Eu vou pra Palmares

13. Zumbi/Requilombô

14. Diáspora

15. Groove Djs(bonus track)

mais fotos aqui.